Se você
fosse abusada na rua, provavelmente denunciaria e iria atrás dos seus direitos,
certo? Se alguém lhe roubasse algo, você iria querer lutar até o fim para recuperar
o que lhe foi tirado, não é? E ficaria furiosa se te agredissem de alguma
forma, tenho certeza.
E se eu
te contasse que infelizmente agressões verbais e físicas estão acontecendo em
hospitais e maternidades? O lugar onde você deveria estar a salvo, protegida,
cuidada, nem sempre faz jus ao que é direito do paciente. E tem mais.. você
sabia que muitas vezes a paciente nem sabe que está sendo agredida? A falta de informação ainda é grande.
É triste
saber que em pleno 2015, procedimentos não autorizados pela paciente são
realizados, muitas vezes acompanhados de prejuízos psicológicos, fisiológicos e
muitas vezes, sem saber a pessoa se cala e aceita a situação. Esses
tipos de agressões são chamadas de violência obstétrica.
A violência
obstétrica não é um assunto muito conhecido, mas ocorre com frequência no Brasil
(o que me faz crer que esse assunto deve ser abordado às gestantes e à todas as
mulheres que algum dia já tiveram ou pensam em ter filhos). Segundo informações do Ministério
Público de São Paulo, a obstetrícia é MUNDIALMENTE a área médica com maior
número de infrações.
- Quando é negado à gestante atendimento.
- Quando há a episiotomia (corte na musculatura
do períneo) com objetivo de apenas facilitar o procedimento aos profissionais.
A episio é permitida sim, desde que realizada apenas em casos que envolvem
risco de vida dos pacientes.
- Quando é negado um acompanhante.
- Ao gritar com a gestante.
- Quando é negada a escolha da forma do parto,
e a paciente é encaminhada para procedimentos como cesárea também com objetivo
de facilitar a vida do profissional.
- Quando não é dada privacidade à gestante e ao acompanhante.
Gente, há várias formas de violência. Os prejuízos
causados pode ser comparado à prejuízos causados por estupros. A mulher que
sofre violência obstétrica muitas vezes se rejeita, se limita, teme novas
relações sexuais, tem tendência a ter depressão pós-parto e pode desenvolver medo de
novas gestações. Sem contar nos danos físicos. Vale lembrar que o pai também sofre com o desrespeito.
Portanto, denuncie! Se você sofreu essas
agressões, não fique calada.
Anote os fatos, peça cópia dos prontuários (o único custo que eles podem te cobrar é o da cópia) e vá a
um advogado. Procure a defensoria pública do seu município. Seu corpo deve ser respeitado e acima de tudo, você é um ser
humano que merece cuidado, atenção e novamente, respeito.
Repasse as informações, e busque se informar
também. A melhor forma de erradicar, é espalhando informação. Não deixe que seu
sonho se transforme em um pesadelo.
Abaixo, algumas fotos de um projeto fotográfico sobre violência obstétrica:

É isso aí, Fernanda!







