Cheguei em casa, tirei o jeans apertado e o substituí pela
confortável camisola que me acompanha nas noites quentes e frias há alguns
anos. Liguei o notebook, dei play na minha playlist favorita do spotify e
peguei o celular pra ler as mensagens. Confesso que fiquei assustada na
quantidade de mensagens que tinha do meu primo, abri preocupada e dentre as
mais de 20 mensagens uma me chamou atenção “queria
superar fácil igual você”. Eu ri,
fiz um tutorial no estilo step by step de como lidar com tal situação que estávamos
lidando, nós conversamos muito, tivemos uma tentativa frustrada de converter o
luto psíquico que estávamos enfrentando em piada e agora não consigo parar de
pensar em como somos extremamente frágeis e adaptáveis.
Como conviver com nocautes que nosso sistema de recompensa
nos dá de vez enquando? Como lidar com a sensação de ser trouxa? Como administrar
o luto psíquico após perceber que não, você não é “x únicx da vida delx”? Como
encarar esse dark sem parecer desesperada/desamparada/descontrolada?
Primeiramente, aceite que a culpa é sua. Quem criou a
expectativa foi você. Tenha controle emocional e pelo menos tente administrar
isso. Não se desespere, e se o desespero vier, lembre-se que nada dura pra
sempre. Inclusive sua breve e idealizada história de amor (desculpa a
franqueza).
Seja grata, se você está tão abalada por ter acabado,
independente do motivo do fim desse ciclo, foi porque você viveu momentos bons,
agradeça à Deus, à iemanjá, ao universo ou whatever por isso e sinta-se
abençoada por ter tido a oportunidade de ter se divertido ao invés de ficar se
vitimizando por nada dar certo na sua vida.
Dê uma pausa no Jorge e Mateus e se joga no Wesley Safadão. Tire
de vista as coisas que te lembram a pessoa, cuide de você, mude algumas coisas
de lugar. Inclusive suas prioridades.
Deixe pra sofrer por motivos que realmente valham a pena. Toda
dor deve ser sentida, até porque quem não sabe o que é perder, nunca vai
conhecer aquela "cosquinha" na barriga que a gente sente quando vence ou ganha algo.
Te dou o direito de dar a última lamentada por não ter dado
certo, mas uma última só! Depois da última lamentada por não ter dado certo, eu
é quem vou lamentar de ti se souber que tu continuas sofrendo e se martirizando
(eu acho estranho falar tu continuas, mas ao mesmo tempo não consigo não
conjugar o verbo quando estou escrevendo). E se você achar que vale a pena, vá atrás mesmo, não desista fácil, mas não insista pra sempre.
Lembre-se de algo
muito importante:
1)
Não se prenda (ou pelo menos tente não se
prender) e não tente prender ninguém a ti. Seja generosa, queira o bem, inclusive o seu. Deixar livre e deixar ir também é
uma maneira de dizer “hey, eu gosto de você, quero te ver feliz, comigo ou sem
mim. Se você for, eu espero que volte, mas se não voltar, espero que você tenha
motivos pra sorrir todos os dias.”.
2)
Permaneça firme nos teus objetivos, crie novos
planos, trace novas metas, seja mais forte que aquela sensação que é formada no
cérebro, que a gente diz que sente no coração mas que na verdade se reproduz
como um soco no estômago.
"Não aceite menos amor nem menos respeito do que você dá ao próximo."

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